4.6.11



O meu corpo balançou-se de encontro ao vento. Envolvi os meus pés na erva molhada, senti-me em paz e, pela primeira em vez, senti-me como uma chama forte, indomável, ardente e viva. Chama essa que representava o perigo sinistro. Por detrás daquelas cores hipnotizantes estava lá aquilo que estou a passar: uma metamorfose, uma mudança radical...
Deixei-me levar, arrastada pelas águas, tentei desprender-me mas foi uma tentativa fracassada. Achava que era mais forte mas afinal não... Sei que irei sofrer mais, irei magoar-me e desgastar as minhas forças em vão.
O tempo passou, ambos seguimos direcções opostas e juro-te que ainda me dói relembrar que és algo do passado mas deixaste-me ir, baixaste os braços, ficaste imóvel e usufruíste a minha partida. Ainda estou zangada e a minha raiva é mesmo profunda mas fiz tudo tudo o que podia, embora tenha feito uma escolha precipitada, vejo agora algo bem.
A última coisa que disseste foi para eu ser feliz e alcançar os meus objectivos, achei uma coisa absurda, sem nexo e sem sentido. Agradeço-te porque graças a ti achei uma pessoa nova em mim. Cresci um pouco contigo e fizeste-me aprender um pouco do mundo à minha volta.
Não sei o que sinto, perdi a capacidade de avaliar o meu estado de espírito. Sinto-me privilegiada por ter o melhor de mim na minha vida e sei que nunca mais terei de me sentir sozinha.
Não te cheguei o meu segredo e nem sabes o alívio que isso me dá! Não tens de saber tudo relativamente à minha pessoa. O importante é eu recuperar as minhas forças para combater no enorme campo de batalha.
Hoje foi um dia, sem dúvida, especial. Ainda não me decidi em relação, ainda estou fragilizada mas sei que irei salvar-me, remarei contra os ventos porque depois da tempestade, os meus olhos conseguirão exclamar o reconhecimento de ter conseguido ultrapassar mais um obstáculo.
Toda a gente se interroga donde vem toda a minha força interior, como consigo ser tão calma nos assuntos que assombram a minha vida. Nem eu própria sei, julgo que é da maneira como fui educada. Sou irrequieta e não gosto muito de ter a tristeza como companhia, procuro sempre alegrar-me, vou para meu cantinho confortável e aí deito todas as minhas angústias, arranco tudo para fora...
Não sei se irei lutar, não sei se estarei preparada para a aventura...
Sinceramente, irei deixar algum tempo passar para tomar uma decisão definitiva.

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